Tudo começou por volta de 1914 quando, durante a Primeira Guerra Mundial, uma arma desenvolvida estava dizimando centenas de soldados. Tratava-se do mortal gás Mostarda. Diversos cientistas dos Estados Unidos foram convocados para pesquisar e encontrar um produto que, colocado nas máscaras usadas pelos combatentes, adsorvesse o impiedoso gás impedindo a intoxicação dos soldados.

O Dr. Walter Patrick, professor de físico-química da Faculdade John Hopkins realizou experimentos que levaram ao desenvolvimento da primeira aplicação de vulto da Sílica Gel: o uso do produto como agente adsorvente nas máscaras contra gases. A sílica foi colocada dentro das máscaras e quando o soldado respirava o ar contaminado com o gás Mostarda, esse passava através da sílica que retirava-lhe as impurezas fazendo com que chegasse ao combatente um ar purificado.

A guerra terminou e a sílica sintética começou a ser usada em outras aplicações, uma delas foi na confecção de aparelhos de ar-condicionado, por volta de 1919. Esses primitivos aparelhos consistiam em caixotes cheios de sílica que eram colocados nas janelas, com a corrente de ar passando através deles ocorria uma
desumidificação do ar criando-se assim um ambiente mais agradável no recinto. Em 1920 já havia nos Estados Unidos prédios de 25 andares que possuíam um sistema de ar-condicionado construído totalmente à base de sílica. Foi justamente a aplicação da sílica nesses aparelhos que justificou a sua produção em escala industrial.

Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, usou-se a sílica nas caixas de armas e munições para mantê-las desumidificadas, já que a pólvora adsorve rapidamente a umidade e nesse estado perde seu poder explosivo.

Entretanto, durante a produção da sílica começou a ocorrer o que chamou-se , antes da descoberta, de um grave problema. Quando produzia-se sílica, feita em grânulos de 1 a 4 mm, havia sobra de um pó que não solidificava novamente e atrapalhava a produção industrial. Foram feitas várias pesquisas para eliminar a formação de pó, mas tudo em vão. Partiu-se então para a hipótese de utilizá-lo para alguma outra finalidade. Descobriram assim que para esse “indesejável” pó havia uma infinidade de novas aplicações, tanto que os fabricantes tentavam agora produzir mais sílica em pó do que granular. Assim surgiu a sílica gel sintética em forma de pó.

Desde então as sílicas micronizadas são utilizadas em diversos segmentos: as indústrias de tintas usam-nas para transformar um verniz ou tinta brilhantes em fosco; as indústrias de dentifrícios utilizam sílica na produção de cremes e géis dentais para criar abrasividade no produto ; nas indústrias de cosméticos as sílicas são componentes que entram no processo de fabricação de pós descolorantes e outros produtos em pó para manter-lhes a homogeneidade; na produção de plásticos, utilizá-se a sílica para ajudar quando a auto-adesão é prejudicial. As indústrias de cerveja utilizam-se da sílica como estabilizante coloidal e clarificante; as indústrias alimentícias utilizam amplamente a sílica como antiaglomerante , antiespumante e antiumectante em produtos em pó. As sílicas estão presentes em outras tantas aplicações como; refinações de óleos comestíveis, produtos de silicone, adesivos, papéis etc.

Ao que parece o mundo que nos cerca contém sempre algo que possui ou foi tratado por sílica. Como já se pôde constatar, é um produto de múltiplas aplicações, motivo pelo qual estamos diariamente estudando e pesquisando novas possibilidades de aplicações a fim de que possamos oferecer suas vantagens a um número sempre crescente de empresas.
 



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